Mais uma vez estou aqui para compartilhar algo com vocês, mendigos. Gasto meu tempo com vocês e vocês me retribuem gastando o de vocês comigo então prometo ser breve.

Como ouvi em uma letra de RAP certa vez: “… coitado do homem que não percebe a própria insignificância”.

Quanto a mim?! Sou só um mendigo. Um mendigo pensador, mas que ultimamente tem andado com pensamentos vazios. São muitos pensamentos, porém pensamentos tomados por inutilidades. Isto não me torna um mentiroso por me qualificar como “pensador”, mas até que ponto pensamentos inúteis te trazem benefícios? Pois bem, ao meu ver, nenhum! Talvez fosse útil para trazer paz ao infeliz que se afoga em pensamentos destrutivos e perturbações, mas essa fase eu já passei.

Talvez minha cabeça já tenha funcionado melhor em outro período da minha vida. Ou simplesmente meus pensamentos tivessem pelo menos me sido mais úteis do que são agora. Minha alma (ou seja lá o que for responsável por nossas emoções e consciência) era tomada por um equilíbrio onde independentemente do ambiente externo, internamente a paz e lucidez se cruzavam com perfeita harmonia, já que me adaptei ao caos de uma mente doente e desconexa. (isso pode soar estranho, mas é como uma necessidade de adaptação que acabou bem sucedida. Seu “eu ideal” esmagado por sua realidade impiedosa até que deixe de ser ideal e se torne apenas “eu”). Harmonia que morreu (se é que realmente existiu), extinguiu-se ou adormeceu profundamente  (se for isso, espero que acorde logo).

A escuridão da alma é mais escura que a noite e não existe sol que desbrave sua alvorada. O torpor beira o absoluto. As perspectivas se esvaem, derretendo sob o sol da realidade que queima suas próprias desculpas e sonhos; evapora suas emoções; seus “porquês”. Você já não sente nada. Não existem lágrimas pra derramar. Não existe fúria pra controlar nem medo pra te deixar em estado de alerta.

Sua alma se reflete em seus sentimentos. Seus sentimentos se refletem em seus pensamentos, que por sua vez, se refletem em suas palavras. Mas na falta de alma, seus emoções vão deixar cicatrizes em quê?! E os pensamentos, que são reféns dos sentimentos, continuam lembrando do que lhe fez tão mal. Simplesmente porque o reflexo dos sentimentos não pode ser quebrado como se quebra um espelho; e um refém não dita os acordos de sua liberdade. Um refém já não pertence a sí mesmo. Ele não dita seu próprio destino. Resta esperar que a morte seife a vida de quem lhe privou da liberdade ou que o privador desista de esperar um retorno de quem pode por fim ao cativeiro. Mas na ausência de alma e com os pensamentos reféns das emoções, este cativeiro na verdade te prente com qual finalidade ? Por que esperar o libertador que não virá?

É por isso que o refém definha, e com a falta de energia pra permanecer forte,vai morrendo sem utilidade. Porque se esforçar é inútil. E acabar inútil foi o resultado de toda energia gasta em anos lutando pra se libertar dessa caverna tomada pelo breu. O cativeiro está forte como raiz de uma árvore frondosa e o privador insiste em permanecer vivo e viril esperando o libertador que não virá; nessa espera, a alma deixa o corpo, e se não existe alma, o corpo simplesmente se esfria até que a morte traga a paz a uma mente composta emoções que lutaram entre sí até que todas estivessem  mortas.

 

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