Olá.

Fumei um baseado agora a pouco. Estava bom mas queimei a garganta porque alguma substância usada para preservar o prensado estava muito forte.

Fumei sob a sacada de sempre. É o melhor lugar pra fumar dos que tenho acesso no meu horário de trabalho. É bem iluminado mas longe das câmeras de segurança e nem posso ser visto por alguém a menos que eu queira me expor.

O dia hoje foi bom. Como se tornou costume, passei chapado. A maconha se tornou um remédio que não pretendo abrir mão já que só com altos índices de THC no cérebro é que me sinto normal, saudável.

Estou com saudade da J. Eu a amo. Infelizmente, depois de tudo que rolou – ou que deixou de rolar – entre a gente, não tenho mais a menor condição psicológica ou emocional pra tentar qualquer coisa que não seja a distância e o silêncio. Tento esquecer que ela existe. Tento esquecer o que passamos de bom, mas não consigo. Também não consigo esquecer todo o mal que ela me fez e quão desgraçada ficou minha vida por muito tempo como consequência do meu envolvimento com ela. O problema é que nenhum sentimento em mim, quando penso nela, é maior que o nojo. Não consigo mais nutrir qualquer outro sentimento que não seja aversão, decepção, desilusão ou ciúmes.

Pouco importa. Já decidi que não irei mais permitir que ela se aproxime e tente reverter a situação que se colocou entre a gente. Fato é que pretendo manter o mínimo de dignidade, mesmo que lá no fundo da alma eu pense que já não tenho nenhuma.